Receita para os democratas diante da ignomínia: perseverar no racionalismo e na luta popular

Diante da ignomínia, do golpe na democracia, da conspiração de podres poderes contra a liberdade e os avanços sociais, da opressão instalada pelo consórcio mídia – aparato judicial, do assalto às riquezas nacionais… o jornalista Antonio Augusto defende o lema “pessimismo da razão, otimismo da vontade”. Ou, como já cantou Ivan Lins, “desesperar jamais; cutucou por baixo, o de cima cai”.

Diante-da-ignominia-destacada

Por Antonio Augusto

Meu amigo de “facebook”, Luis Felipe Miguel, democrata pra valer, de esquerda, e professor de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB), postou um comentário que enseja este meu texto.

Como sempre, os “posts” do Luis Felipe são muito bons, precisos, analíticos, democráticos de verdade. Escreve agora o seguinte:

“O triplex reaparece no final da semana anterior à decisão definitiva no Senado. O jogo de ‘coincidências’ é tão primário que seria cômico – se não estivessem colocando o Brasil numa situação tão trágica”.

Aí vai o meu texto:

É “cômico” na sua primariedade para nós.

A imensa maioria da população, que acompanha pouco a política, tem menor acesso ainda a informações fidedignas, se guia pelo espalhafato e manipulação da mídia reacionária – e golpista -, ouve cantar o galo sem saber onde, mas emprenha e acredita.

A ilusão de realidade da televisão, do “Jornal Nacional”, vira a Realidade.

Fora a ideologia dominante, etc.

Quer coisa mais primária que a “Veja”, “Isto É” e suas capas? No entanto, uma massa significativa acredita, e ainda acha o fino.

Hearst disse que nunca deixou de ganhar dinheiro por deixar de acreditar na infalibilidade da estupidez das massas.

William Randolph Hearst (1863-1951), magnata americano, pioneiro da imprensa marrom de massas. Ajudou a fabricar midiática e histericamente a intervenção dos EUA em Cuba, em 1898.

O personagem inspirou o “Cidadão Kane”, de Orson Welles.

Os Hearsts estão aí; hoje são os Murdochs, da Fox; os Marinhos da monstruosa Globo.

Esse é o ritmo da batalha.

É a isso que o capitalismo, ainda mais num país estratégico e saqueado da periferia, reduz os seres humanos.

Por isso, pra muito intelectual é mais interessante aderir à estética “tout court”, ao multiculturalismo panaceia, ao pós-modernismo, à moda acadêmica da vez, etc.

O mundo se parece bastante à gigantesca caverna de Platão.

Enfim, perseverar: “pessimismo da razão, otimismo da vontade”; luzes da Razão fundidas à luta popular.

Por aí.

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