Pesquisas constatam que ‘terrorismo’ da mídia desinforma e gera prejuízo ao país

Pesquisas divulgadas em fins de maio detectaram o grande mal causado pela desinformação no país. Segundo o Ibope, 41% dos brasileiros consideram que a imprensa mostra a situação econômica do país mais negativa do que é na realidade. Vox Populi apurou que 38% dos brasileiros acreditam que o desemprego é maior que 40%, enquanto apenas 7% sabem que ele não chega a 10%.

sensacionalismo

Marcos Coimbra, diretor do instituto, pergunta: “Quanto mal uma mídia partidarizada pode causar a um País? Que prejuízos a irresponsabilidade dos veículos de comunicação traz à sociedade?” Claro está que a propagação exagerada de noticiário “negativo” e a ocultação ou secundarização de notícias positivas vem gerando a distorção de visão e sentimentos verificada nas pesquisas. O objetivo é político – desgastar o governo – mas os resultados negativos são vários: gera estresse, inclusive social, piora artificialmente a qualidade de vida das pessoas, faz os consumidores se retraírem mais do que o necessário e, por fim, faz com que as empresas pisem no freio dos investimentos, atingindo a economia de forma real.

A liberdade de expressão e de imprensa são valores democráticos inquestionáveis, mas cabe à sociedade cobrar honestidade e transparência dos veículos de imprensa. Um povo bem informado, crítico sim, mas com acesso às informações e a diferentes pontos-de-vista, é um povo em condições de avaliar e progredir. Um povo mal informado é candidato a ser manipulado.

Veja abaixo, artigo publicado pelo jornalista Ricardo Kotscho em seu blog.

Publicado em 02/06/15 às 10h45.

Pesquisas mostram como mídia joga contra o país

Duas pesquisas divulgadas em fins de maio de 2015 por Ibope e Vox Populi, sobre como os brasileiros se sentem em relação ao futuro, mostram como a grande mídia joga contra o país para desgastar o governo, ao privilegiar e exagerar no noticiário negativo.

Para 41% dos brasileiros, segundo o Ibope, a imprensa mostra a situação econômica do país mais negativa do que na realidade o cidadão percebe. “Isso revela que os níveis de contradição entre a realidade e o que a mídia publica chegaram a graus altíssimos”, constatou Laurindo Lalo Leal Filho, sociólogo, jornalista e professor da Escola de Comunicações e Artes da USP, em entrevista a Helder Lima, da Rede Brasil Atual.

Na mesma linha, pesquisa nacional do Vox Populi sobre sentimentos e expectativas a respeito da economia revela que a opinião pública vive um pesadelo. Quase metade da população estima uma inflação mensal superior a 20% até o final do ano e apenas 7% dos entrevistados sabem que hoje menos de dez indivíduos em cada cem estão desempregados, enquanto 38% imaginam que a proporção de brasileiros sem emprego já ultrapassa os 40%.

“A nova pesquisa mostra que a quase totalidade dos brasileiros depois de ser bombardeada durante tanto tempo com a noção de “crise”, perdeu a capacidade de enxergar com realismo a situação da economia”, analisa Marcos Coimbra, do Vox Populi, em artigo publicado na última edição da revista Carta Capital, sob o título “A crise e suas interpretações”.

Na abertura do texto, Coimbra se pergunta: “Quanto mal uma mídia partidarizada pode causar a um País? Que prejuízos a irresponsabilidade dos veículos de comunicação traz à sociedade?”

E ele mesmo responde mais adiante: “Todos sabem quão importante é o papel das expectativas na vida econômica. Quando a maioria se convence de que as coisas não vão bem, seu comportamento tende a produzir aquilo que teme: a desaceleração da economia e a diminuição do investimento público. A “crise” é, em grande parte, provocada pelas expectativas”.

Os números do Ibope confirmam o que diz Coimbra: enquanto os dados das pesquisas mais recentes indicam uma inflação anual em torno de 8%, uma em cada três das 2.002 pessoas ouvidas não sabe apontar corretamente quais são os atuais níveis. Para 19%, ela já estaria acima dos 12% ao ano.

“Há uma contradição entre a realidade e o que é pauta. Essa contradição se mantém há muito tempo, e agora num grau de distanciamento muito maior. E isso explica a percepção da sociedade e do cidadão revelada nesses números”.

Como se estivessem participando juntos de um debate, os dois analistas chegam às mesmas conclusões sobre diferentes pesquisas, e Coimbra lembra um ponto importante: “Ninguém defende que a população seja mantida na ignorância em relação aos problemas enfrentados pela economia. Mas vemos outra coisa. A mídia hegemônica deseduca ao deformar a realidade e por nada fazer para seus leitores e espectadores desenvolverem uma visão realista e informada do País. Fabrica assustados para produzir insatisfeitos”.

Em 1968, o ano do AI_5, o golpe dentro do golpe, Caetano Veloso já cantava em “Alegria, Alegria”:

O sol nas bancas de revista

Me enche de alegria e preguiça

Quem lê tanta notícia

Eu vou…

E vamos que vamos. Para onde?

Compartilhe este artigo com seus amigos.
Share on FacebookEmail this to someoneTweet about this on TwitterShare on Google+Print this page