Para o G1, grandes traficantes viram “jovens de classe média”

Já o pequeno e pobre é “traficante” mesmo. Valores discriminatórios e burgueses da grande mídia a fazem proteger “os seus”, em detrimento da verdade.

Não é só mentindo ou deturpando a informação que a mídia grande e tradicional causa danos à sociedade. A propagação de valores questionáveis é, muitas vezes, uma forma sutil, mas terrível, de semear um modo discriminatório de ver o mundo e os seres humanos. Através de palavras e imagens, conceitos negativos ou positivos são “colados” em pessoas, grupos e classes sociais. Tudo feito de uma forma muito “natural”. Apenas um olhar mais atento percebe.

Veja o exemplo abaixo.

Valores-da-midia

 

Os “jovens de classe média”, no caso, são bem mais traficantes (300 quilos!) do que o “traficante” (pobre, pé-de-chinelo) que foi pego com 10 quilos, trinta vezes menos do que os tais “jovens de classe média”.

Mas a manchete estigmatiza e “condena” este último, de Fortaleza, enquanto que os rapazes “de boa família” do Rio são tratados – conceitualmente, não explicitamente – como se fossem obra de um desvio inexplicável, quem sabe perdoável.

Dessa forma, o conceito geral que se passa é que um caso de classe média bandida é digno de “espanto”, enquanto que um “pé-rapado” bandido seria “normal”. Pergunta-se: é justo este pré-conceito?

E mais: depois de tantos casos de crimes de “colarinho branco”, perpetrados por gente de terno e gravata, bem criados, por todo o Brasil, na Petrobras, e até na FIFA… enquanto milhões de trabalhadores carregam o país nas costas a duras penas… há algum sentido em manter-se esse preconceito, esse pré-julgamento?

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