O que faz da GloboNews a “GoebbelsNews” da nossa TV

GoebbelsNews

Tão grave quanto o discurso único na GloboNews – disfarçado na profusão de “comentaristas” que sempre concordam entre si – é a prática diária dos ensinamentos atribuídos ao ministro da propaganda de Hitler, Joseph Goebbels. Na Globo, além da mentira que repetida mil vezes se torna verdade, inovam com a máxima “uma verdade ocultada mil vezes acaba se tornando uma mentira”.

A profusão de “comentaristas políticos” na GloboNews de pouco serve para o telespectador, mas muito serve à emissora. Não serve para o telespectador porque todos dizem a mesma coisa. Um deles já abre a notícia dirigindo o comentário numa direção – aquela de sempre, contrária a tudo que for do governo ou da esquerda – e o outro concorda e acrescenta algum detalhe, “desenvolve” o raciocínio. Não raro, entra um terceiro “comentarista” para reforçar a opinião da emissora. “Todos iguaizinhos”, como denunciou o jornalista Sidney Rezende recentemente.

Telejornais com dois, três e até quatro “comentaristas” é a técnica global para disfarçar o discurso único. O telespectador menos atento é levado – na imaginação goebbeliana da família Marinho – a acreditar que está bem servido de comentaristas políticos inteligentes e bem informados. Como ali ninguém destoa e um reforça a opinião do outro, acabam passando a ideia de que aquela opinião se trata de uma verdade inquestionável, praticamente o senso comum.

A ideia de que “todo mundo acha isso”, reforçada pela repetição dos “comentaristas políticos” globais, é um dos pilares da manipulação na mídia. Não há espaço na Globo para comentaristas com outro pensamento, outra visão e outras ponderações. A “linha política” da empresa prepondera, repetida pelos seus inúmeros serviçais.

franklins_midia_venalQuando jornalistas e comentaristas não se “encaixam” no figurino exigido, são demitidos. Há vários exemplos, desde o notável Franklin Martins, que já comentou política na GloboNews, até o recente caso de Sidney Rezende, passando pelo professor de História e comentarista de fatos internacionais Francisco Carlos Teixeira. Qualquer rasgo de independência e não subserviência ao discurso único da família Marinho é fatal. Ou saem, ou são “saídos”.

DITADURA EMPRESARIAL ATENTA CONTRA A LIBERDADE DE INFORMAÇÃO

Essa ditadura empresarial foi denunciada recentemente pelo jornalista Sidney Rezende em seu blog:

sidney_rezende“Reconheço a importância dos comentaristas. Tudo bem que escrevam e digam o que pensam. Mas nem por isso devem cultivar a ‘má vontade’ e o ‘ódio’ como princípio do seu trabalho. Tem um grupo grande que, para ser aceito, simplesmente se inscreve na ‘igrejinha’, ganha carteirinha da banda de música e passa a rezar na mesma cartilha. Todos iguaizinhos.

Isso resulta na ocultação de notícias positivas do governo, por exemplo. Fato que Sidney Rezende também denunciou: “Se depender da imprensa brasileira, está muito difícil achar algo positivo. A má vontade reina na pátria”. O artigo “Chega de notícias ruins” merece ser lido aqui.

A implantação da ditadura do pensamento único na mídia de massa – sobretudo de um pensamento antinacional e antidemocrático como ocorre – atenta contra a liberdade de informação. Um atentado cometido através do poder econômico e do monopólio, representado pelas seis famílias que dominam o setor.

OCULTAÇÃO DA VERDADE X PROPAGAÇÃO DA MENTIRA

goebbelsOra, a ocultação da verdade, destacada por Sidney Rezende, é o outro lado do ensinamento nazista de Goebbels, de que “uma mentira repetida mil vezes se torna uma verdade” (*). A ideia de que “uma verdade ocultada mil vezes acaba se tornando uma mentira” é a contribuição criativa da GloboNews para o universo das canalhices fascistas que assolam o Brasil.

É conhecida uma frase lapidar de Roberto Marinho, fundador do império Globo: “Mais importante do que eu publico no meu jornal, é o que eu não publico”.

Recentemente, o programa GloboNews em Pauta conseguiu noticiar e comentar a tragédia humana e ambiental em Mariana sem citar uma só vez o nome dos responsáveis, ou seja, as empresas Samarco, Vale e BHP, esta uma mineradora australiana. Alguns dias depois, noticiou e comentou sobre a manutenção dos vetos da presidente Dilma pelo Congresso, escondendo que a votação manteve a proibição ao financiamento empresarial de campanhas eleitorais – uma das principais vitórias do governo na luta contra a corrupção.

IMPRENSA SENSACIONALISTA: APELO À EMOÇÃO

A avalanche exclusiva de “notícias ruins” e comentários sempre ácidos (apenas contra o governo e desafetos da Globo) é capaz de cegar a razão, ao mesmo tempo em que estimula o ódio irracional. Aliás, objetivos atingidos por Hitler em sua pregação nazista: infectar corações e mentes com ódios irracionais e reações políticas emocionais.

A imprensa mesquinha forma um publico mesquinhoÉ um fato perceptível hoje em dia que, para os “contaminados” pelo veneno midiático, nenhuma estatística real ou informação comprovada ou raciocínio lógico é capaz de remover os preconceitos incutidos em suas mentes “globalizadas”. Sabem esbravejar (espumando) ódio contra o governo e o PT embora, quando perguntados, não saibam argumentar ou informar sobre os detalhes que lhes motivam a raiva. No máximo, cospem generalidades contra “a corrupção”, incapazes de aprofundar as informações e o debate, mesmo em torno do tema corrupção.

Também, pudera. As informações são-lhes negadas. Recebem meia informação, carregada de malícia e direcionada. As verdades, por terem sido sistematicamente ocultadas, parecem-lhes mentiras.

SAUDADES DE ROBERTO MARINHO?

O velho Roberto Marinho, fundador do império Globo, não era nenhum santo. Fomentou o golpe de 64 e apoiou a ditadura, recebendo em troca a concessão para a TV Globo (fundada em 1965). Sempre usou seu jornal contra governantes trabalhistas – ajudou a derrubar Getúlio Vargas em 54, Jango em 64 e combateu ferozmente Brizola nos anos 80 e 90. Associou-se ao grupo Time-Life e foi sempre “um amigo dos Estados Unidos”.

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General Figueiredo e Roberto Marinho: braços dados com a ditadura

No entanto, os filhos do Roberto Marinho gostam de destacar o momento em que o pai teria “peitado” os militares, quando um deles lhe pediu a demissão dos “comunistas” do seu jornal. “Dos meus comunistas cuido eu”, teria respondido o velho Roberto. É de se lembrar também a criativa e destacada presença, com muito sucesso na TV Globo, de grandes criadores de esquerda e progressistas como Dias Gomes, Oduvaldo Vianna Filho, Gianfrancesco Guarnieri, Mário Lago…

Pois os três filhos de Roberto Marinho, herdeiros do império, acabaram com qualquer resquício de pluralidade. Se no jornalismo reina apenas e tão somente a linha política dos patrões, também a dramaturgia foi dominada por autores “afinados com a igrejinha”. Personagens de novela já chegaram a fazer discurso a favor da direita numa trama de Aguinaldo Silva.

O resultado a médio e longo prazos dessa opção de forçar um discurso dominante, ideológico, partidário, é o empobrecimento do conteúdo oferecido pelos veículos da Infoglobo, holding da família. A queda no número de leitores e telespectadores já se faz sentir. O advento da internet explica parte do problema, mas o principal carrasco da Globo é a falta de credibilidade.

Enquanto a Rede Globo é obrigada a ouvir há décadas, em manifestações de rua, que “o povo não é bobo, abaixo a Rede Globo” e a CBN vê seu slogan virar “A rádio que troca a notícia”, a GloboNews já começa a ser chamada de GoebbelsNews.

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(*) Nota da Redação: Não há nenhuma fonte confiável que permita confirmar que o braço direito de Adolf Hitler foi o autor desse dito e é provável que a autoria da frase não passe de uma inverdade. Entretanto, não deixa de ser verdade que Goebbels foi um mestre na transformação de mentiras em senso comum e verdade. É irônico, mas o mestre da falsificação pode ter sido, assim, vítima de uma. O “ensinamento”, no entanto, é seguido ainda hoje por manipuladores da Comunicação Social.

 

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