Não à precarização neoliberal: Haddad acaba com ‘aprovação automática’ nas escolas de São Paulo

26-06-2015 - São Paulo - Em reunião na sede do Instituto Lula nesta sexta-feira (26), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu o primeiro escalão da Educação na administração pública, nos sindicatos de professores e nas entidades estudantis para debater a aplicação e o desenvolvimento do Plano Nacional de Educação (PNE): Lula frisou que os avanços conquistados nos últimos 12 anos precisam de esforço continuado para que se consolidem e permitam que o país dê um novo salto de qualidade na formação dos brasileiros.

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro. (Foto: Heinrich Aikawa/Instituto Lula)

 

A “progressão continuada”, ou seja, a malfadada aprovação automática nas escolas públicas municipais, foi uma política de inspiração neoliberal, amplamente adotada no país durante a “Era FHC”. Agora, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), que já foi ministro da educação, está fazendo sua parte pelo fim deste absurdo. Chega de alunos que terminam o ensino fundamental muitas vezes sem saber ler e escrever.

Por Joyce Zandonadi, do Blog Independente

Segundo a notícia publicada no site da Band, O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), anunciou nesta quinta-feira a reforma do ensino municipal, que tem como principal medida o fim da progressão continuada ou aprovação automática.

Com o programa “Mais Educação São Paulo”, Haddad espera melhorar a qualidade de ensino na cidade. “Não vamos querer que nenhum filho de São Paulo chegue aos 9, 10 anos sem saber ler e escrever”, disse.

A progressão continuada, que impedia a repetência, será substituída por acompanhamento periódico. “Quando falamos de nota, boletim, entendemos que é um instrumento interessante de envolvimento da família, além de baliza para o acompanhamento do aluno. São inúmeras escolas que têm o acompanhamento no ano letivo e nas férias para evitar um mal tão grande que é a aprovação automática”, observa o prefeito.

Das escolas, também serão exigidas realizações de provas bimestrais, boletins com notas de zero a dez, relatórios de acompanhamento e lição de casa regular.

Além da mudança nas avaliações e na grade curricular, o novo plano prevê melhorias na infraestrutura, como a construção de 367 novas unidades para a educação básica. A contratação de novos educadores faz parte do plano. Atualmente, a rede possui mais de 3 mil nomeados e 2,3 mil contratados em regime emergencial.

Haddad diz que o programa não está fechado e sinaliza estar aberto a sugestões. “Há propostas para discutir. É óbvio que elas serão ampliadas. Estaremos abertos para aperfeiçoá-las porque São Paulo merece um plano à altura de sua grandeza”.

O prefeito também acredita que o sistema educacional da cidade está pronto para o programa. “Não tenho dúvida que nossa rede está preparada. A rede física já permite um trabalho de boa qualidade. Temos condições de dar um grande salto. São Paulo precisa, pode e dará esse salto”.

Ensino dividido em ciclos

Pelo novo plano, o ensino fundamental de nove anos será dividido em três ciclos. O primeiro estágio, começa com a alfabetização, do 1º ao 3º ano. O segundo seria o ciclo interdisciplinar, do 4º ao 6º ano do ensino fundamental. O processo se encerra com o estágio autoral. “Em cada etapa, um tratamento específico”, diz o prefeito.

Hoje, há apenas dois estágios, chamados de Fundamental I (do 1º ao 5º) e II (do 6º ao 9º). O programa tornaria a transição entre os ciclos mais gradativa em vez de um período com um professor generalista e outro com especialistas.

Formação de professores

O plano, segundo Haddad, resgatará os CEUs (Centro de Educação Unificado) e valorizará o educador. “Ele [professor]tem como missão de vida não apenas educar, mas se aperfeiçoar continuamente. Ele precisa de baliza para se aperfeiçoar, e ele quer”, afirma o prefeito. “Temos que criar uma rede de formação na cidade de São Paulo”.

Ao todo, Haddad diz que serão 32 polos de oferta de formação continuada para os professores. Outra novidade é que o projeto não está restrito aos professores da rede municipal. “O aluno [do estado] também é um morador de São Paulo”. O prefeito afirma que já acertou a medida com o governador paulista, Geraldo Alckmin (PSDB).

Os cursos de aperfeiçoamento serão oferecidos, neste primeiro momento, pela Unesp (Universidade Estadual Paulista) e Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). A prefeitura ainda negocia para que a USP (Universidade de São Paulo) e a UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) também entrem no programa.

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