Até o FMI condena UE: Fundo queria perdão de parte da dívida grega

Em um surpreendente comunicado emitido na noite de terça-feira, 14 de julho, o Fundo Monetário Internacional (FMI) fez duras críticas à União Europeia pela recusa do bloco em considerar o perdão de parte das dívidas da Grécia nas negociações para o terceiro pacote de ajuda financeira ao país em cinco anos.

Para o FMI, as expectativas dos países europeus para a economia grega não são realistas

Para o FMI, as expectativas dos países europeus para a economia grega não são realistas

Da Redação, com informações da BBC Brasil

O órgão, que também faz parte da lista de credores gregos, tendo emprestado 10% do mais de R$ 1 trilhão devido por Atenas, afirmou que apenas uma anistia considerável poderá evitar o colapso econômico do país.

Segundo uma porta-voz, o FMI, que vinha resistindo a participar da nova leva de empréstimos sem o que chamou de um plano claro para a recuperação econômica grega, fez a recomendação diretamente aos ministros da área econômica dos países que adotam o euro como moeda. E também ofereceu possíveis cenários de perdão de dívidas.

Especialistas do fundo recomendaram um período de 30 anos para o pagamento das dívidas – entre elas, a dos novos empréstimos -, além de uma extensão considerável da incidência de juros. Sem isso, segundo o órgão, apenas uma redução considerável na massa de débitos poderá fazer do endividamento um processo sustentável.

Credores divididos

Foi a primeira vez que divergências mais substanciais entre o FMI e a União Europeia vieram a público.

O novo pacote de ajuda grega, além de não conter qualquer tipo de perdão de dívidas, impõe duras condições a Atenas que incluem o compromisso de levantar um fundo com ativos gregos no equivalente a R$ 170 bilhões, além de medidas de austeridade que não apenas o governo grego tinha prometido não adotar, mas que também foram recusadas por 61% dos gregos em um plebiscito realizado há duas semanas.

As divergências internas dão contornos mais dramáticos aos compromissos dessa quarta-feira, quando venceu o prazo dado à Grécia para aprovar no Parlamento quatro projetos de lei exigidos em troca de mais crédito.

Aprovado no Parlamento

O pacote da União Europeia acabou sendo aprovado no parlamento grego a um alto custo. O Syriza, partido no poder, ficou dividido ao meio e há muita insatisfação nas ruas.

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