Apesar do sensacionalismo da mídia, Rio de Janeiro é o estado com menos mortes por facada

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A “espetacularização” de um fato, de uma notícia, ou seja, o sensacionalismo feito para vender jornal e ganhar audiência, acaba deturpando nossa visão sobre um tema. Aqui, um exemplo prático.

Da Folha de S. Paulo

O Rio de Janeiro é o Estado brasileiro onde menos se mata com armas brancas, como facas, revelam dados inéditos do Mapa da Violência 2015 – que computa os homicídios cometidos em 2013, dados mais recentes disponíveis.

No país, em média, 15,8% dos homicídios foram cometidos naquele ano com objetos cortantes ou penetrantes, as chamadas armas brancas. No Estado de São Paulo, a proporção foi de 16,9%. Já no Rio ela se limitou a 5,2%.

Assassinatos e roubos praticados com facas ganharam atenção após a morte do médico Jaime Gold, 57, esfaqueado durante um assalto na lagoa Rodrigo de Freitas, zona sul do Rio, no último dia 19.

O caso fez a Câmara dos Deputados desarquivar um projeto de lei de 2004 que visa proibir o porte de armas brancas nas ruas. O texto está em análise na Comissão de Constituição e Justiça da Casa.

A investigação sobre a morte do médico foi colocada em xeque nesta semana, quando um jovem de 16 anos se apresentou, disse ter participado do crime e negou a ação do primeiro adolescente apreendido e considerado pela polícia como autor das facadas.

O Brasil registrou 56,6 mil homicídios em 2013 pelos dados do Mapa da Violência, coordenado pelo sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, da Flacso (Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais). As armas de fogo continuam sendo a principal causa das mortes – perto de 70%.

Em dez anos, a participação das armas brancas no total de homicídios teve um pequeno aumento. Em 2003, 13,3% dos assassinatos haviam sido praticados com esses instrumentos – ante 15,8% do dado mais recente.

O Amapá teve a maior participação de armas brancas no total de homicídios (46,6%). Em seguida, Tocantins (41,2%) e Acre (32,8%) – todos da região Norte do país.

Para Waiselfisz, uma das principais explicações para as diferenças é que a faca é “parte da vida cotidiana” em alguns Estados – muito usada, por exemplo, nas matas. A população rural do Rio era de só 3,4% no último censo.

Segundo Waiselfisz, é mais comum que crimes premeditados sejam cometidos com armas de fogo. Em Estados onde a presença do crime organizado é forte, como no Rio, elas se tornam mais usadas do que as armas brancas.

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