Alzheimer: não adoeça junto com o paciente

Conhecendo melhor o Alzheimer, a família não adoece junto com o paciente. E todos saem ganhando.

alzheimer

Quando alguém da nossa família é diagnosticado com a Doença de Alzheimer, a primeira coisa que se instala é a tristeza dos familiares e, logo em seguida, o pânico. A preocupação com o que vem pela frente traz enorme estresse para a família. Como lidar com o paciente? Como administrar a carga de trabalho que será necessária para cuidar do paciente? O que fazer para que o paciente receba os melhores cuidados?

O Alzheimer não tem cura. Uma coisa, porém, é certa: conhecer as características da doença e ter boa orientação sobre como lidar com o paciente fazem toda a diferença na qualidade de vida do paciente e, sobretudo, dos familiares. A doença é degenerativa, portanto, agrave-se com o tempo. Da fase inicial à fase grave, na média essa evolução se dá em sete anos, mas há casos em que esse processo pode durar 20 anos, pois tudo depende de cada paciente.

Segundo a Associação Internacional da Doença de Alzheimer – ADI, 35,6 milhões de pessoas convivem com a patologia em todo o mundo. No Brasil, pode-se estimar que 1,2 milhão de pacientes sofram com a doença, com cerca de 100 mil novos casos por ano.

No Rio de Janeiro, há uma entidade que ajuda os familiares de doentes de Alzheimer. É a APAZ – Associação dos Parentes e Amigos de Doentes de Alzheimer e outras demências -, cuja sede fica no centro do Rio. Lá, acontecem palestras e projeção de vídeos bastante elucidativos sobre o tema, além de apoio psicológico aos familiares que cuidam dos pacientes. Veja abaixo as principais dicas dos especialistas sobre a doença.

COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO

Segundo a presidente da APAZ, Maria Aparecida Guimarães, infelizmente há muitos pacientes mal diagnosticados. Ou seja, tomam remédio para Alzheimer, mas na verdade têm outro tipo de demência, o que obviamente significa que o tratamento não trará os resultados desejados. Portanto, o primeiro cuidado é escolher o neurologista ou geriatra que fará o diagnóstico. Do trabalho desse profissional dependerá todo o bom desenvolvimento do tratamento.

E qual é o momento de levar o paciente ao médico? Não são pequenos esquecimentos que caracterizam a doença. Isso, todos temos. Mas sim quando esses esquecimentos são repetitivos e o paciente não lembra de jeito nenhum. Além disso, a confusão espacial é um sintoma bastante forte do Alzheimer. Ou seja, o paciente às vezes não sabe dizer onde se encontra. Perde-se na rua. Nessa fase, convém avisar aos porteiros do prédio sobre a situação e fazer o paciente portar um cartão de identificação com o endereço da residência e os telefones e nomes dos parentes mais próximos.

Para o diagnóstico, o médico deve receber as informações sobre o comportamento do paciente nos últimos tempos. Daí, prescreverá exames que visam eliminar (ou confirmar) outras possíveis causas da desorientação do paciente. O exame de sangue verificará se falta vitamina B12, por exemplo. Uma ressonância tentará localizar algum tumor no cérebro. Verificado que não há nenhum desses problemas, passa-se aos testes cognitivos. Dessa forma, o médico conseguirá definir qual o tipo de demência que acomete o paciente, entre elas se é Alzheimer.

PROTEJA-SE. NÃO ADOEÇA JUNTO COM O PACIENTE

A psicóloga Tânia Scripilliti, que trabalha na APAZ, esclarece que uma das medidas iniciais fundamentais nesse período é que a família se prepare conscientemente para cuidar do paciente. É importantíssimo que os cuidadores, os familiares, não sejam “engolidos” pelo problema com o parente doente. Precisam manter o máximo possível suas vidas, não podem ser 100% absorvidos e, com isso, “adoecerem” junto com o paciente. Uma boa reunião dos parentes para combinar a divisão das tarefas e dos custos é essencial. Esse ponto é tão importante, que a APAZ mantém um trabalho psicológico voltado para apoiar grupos de parentes com pacientes em casa.

Dicas importantes para lidar com um paciente de Alzheimer. Clique aqui.

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