Adeus Levy, o emissário dos bancos que rebaixou o Brasil

Joaquim Levy, homem dos bancos, deixa o Ministério da Fazenda com um legado inequívoco: 1 milhão de desempregados, economia em recessão e até a perda do ‘investment grade’ nas agências de avaliação de risco. É o que mostra este artigo de Álvaro Nascimento.

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1 milhão, 4 milhões, R$ 1 trilhão

Por Álvaro Nascimento

Em todo momento em que ouço declarações lamentando a saída de Joaquim Levy do comando da economia e que a subida de Nelson Barbosa trará o caos, penso:

1. Neste ano, a política econômica comandada por Levy provocou a supressão de 1 milhão de vagas formais no mercado de trabalho no Brasil (Fonte:Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED)/Ministério do Trabalho e Emprego). Multiplico este número por uma família, em média, de quatro pessoas, e tenho 4 milhões de vidas sofrendo as consequências da tragédia que é o desemprego;

2. No mesmo ano, o Estado brasileiro transferiu R$ 1 trilhão (46% do gasto federal), recolhidos via nossos impostos, aos bancos. Nunca transferimos tanto em tão pouco tempo, a título de uma dívida que se nega auditar (saiba mais sobre auditoria da dívida aqui).
São 800 estádios do Maracanã novinhos em folha só em 2015 (mais de dois estádios por dia). Dava para fazer 40 copas do mundo!!!;

3. Guindado como homem capaz de, com seu “ajuste”, manter o equilíbrio fiscal, termina sua gestão entregando um Brasil “rebaixado” até pelas agências de risco (sim, suspeitíssimas como todo mundo sabe), mas que para essa gente são tidas como avalistas de nossa saúde econômica. Logo, ele foi reprovado até pelos ideários do que pratica.

Mas há um fato que o redime. Levy não fez nada além do que se poderia esperar dele, vindo de onde veio, sendo quem é e representando quem sempre representou. A questão central – e em relação à qual deveria haver uma autocrítica formal à sociedade – é o que levou Dilma Rousseff e o PT a colocá-lo no comando da economia após sua vitória, há um ano, definida “cabeça a cabeça” em um segundo turno onde a sociedade rejeitou justamente o que Levy representa (recessão, enxugamento do Estado, cortes em áreas essenciais ao desenvolvimento, favorecimento das elites empresariais via juros e incentivos de todo tipo).

A exemplo de outros fatos – recentes e antigos – bem que Dona Dilma e o PT poderiam vir a público fazer uma autocrítica do caminho escolhido ao pôr Levy onde puseram. Só não vale vir com a velha ladainha da necessidade da “governabilidade”, pois depois de passar por tudo que passamos e ainda teremos a enfrentar, se há algo que inexiste hoje no País é esse monstrengo que tudo tem justificado, de ruim, nas nossas vidas.

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Álvaro Nascimento é jornalista e escritor, autor do livro de contos “Os Homens a Cavalo”.

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