A arte brasileira não tem espaço no MinC de Juca Ferreira?

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“Uma arte nacional não se faz com escolha discricionária e diletante de elementos: uma arte nacional já está feita na inconsciência coletiva do povo”. (Mário de Andrade)

Carlos Henrique Machado, do GRITA

“Uma arte nacional não se faz com escolha discricionária e diletante de elementos: uma arte nacional já está feita na inconsciência coletiva do povo”. (Mário de Andrade)

Quando a secretária da SCDC/MINC, Ivana Bentes, deu em seu diagnóstico o que estava reservado para a arte brasileira, em nome da “renovação”, ela tratou toda a história da arte nacional como algo nostálgico, flocado pela indústria cultural. O apelo em determinar na base da tipificação toda e qualquer criação brasileira como sendo “modelo do gênio, da estrela, do pop” é incorporado numa fala caudalosa e cheia de códigos que precede essa visão estreita da arte nacional. Na fala apressada da secretária de pasta tão estratégica no MinC, “não se trata mais da peça de teatro, do livro ou do disco, mas de seus processos de elaboração”.

Ocorre que, justamente a pessoa que está no comando da Secretaria da Cidadania e Diversidade Cultural, no MinC, atropela toda a história social da arte brasileira para mergulhar no proselitismo pós-moderno e cometer o simplismo mais prosaico de suas evocações futuristas.

Ora, a narrativa da cultura está com o povo. É ele que funde duas coisas, cultura e arte. Isso independente da cota da responsabilidade do governo com as expressões artísticas brasileiras. É o conjunto de aspectos identitários que, desinteressadamente, faz o artista aguçar a sua criação.

Então, a secretária parece que confunde ferramentas técnicas com resistência cultural em sua ideologia programática. Até por que, a arte não anda aos saltos para a frente e nem para trás e muito menos deixa vácuo entre um tempo e outro.

Por isso se torna angustiante a desconexão de uma secretária do MinC com a realidade brasileira, quando faz uma mediação tóxica entre o que ela julga ser velho e novo ao clamar aos céus o fim de um ciclo criativo que nunca existiu, pois a arte brasileira não permite que uma agenda especulativa seja capaz de erguer muros que determinem lados, tempos e visões específicas de um certo Brasil.

Por isso a pergunta: A ARTE BRASILEIRA NÃO TEM ESPAÇO NO MINC DE JUCA FERREIRA?

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